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Banco de Portugal alerta para risco de incumprimento no financiamento de imóveis.


O clima geopolítico é “tenso”, dadas as pressões inflacionistas, as taxas de juro elevadas e a “relativa turbulência” nos mercados financeiros internacionais. É assim que o Banco de Portugal (BdP) descreve o atual contexto macroeconómico que se vive hoje, repleto de incerteza e de riscos. O regulador liderado por Mário Centeno identifica o aumento do incumprimento dos créditos habitação e o arrefecimento no mercado residencial como dois dos principais riscos à estabilidade financeira.


No Relatório de Estabilidade Financeira publicado esta quarta-feira, dia 10 de maio, o BdP conclui que, nos últimos meses, "os riscos para a estabilidade financeira mantiveram-se elevados". E entre os principais riscos e vulnerabilidades está precisamente o “potencial incumprimento das famílias mais vulneráveis, devido à inflação elevada, à subida das taxas de juro de curto prazo e a um potencial agravamento da taxa de desemprego”.


Embora haja maior risco de incumprimento nos créditos habitação, o regulador português lembra que há fatores que podem ajudar a mitigá-lo, como a melhoria do perfil de risco dos mutuários, a redução do rácio do endividamento, elevada taxa de emprego ou a implementação de medidas governamentais de apoio às famílias, incluindo de suporte às prestações do crédito habitação.


Também o potencial incumprimento das empresas mais vulneráveis é um risco para o Banco de Portugal, que considera que, “apesar da evidência recente de resiliência do setor, um contexto económico e financeiro mais desfavorável, caracterizado por menor crescimento económico e taxas de juro mais elevadas, fará aumentar a percentagem de empresas em vulnerabilidade”.


Arrefecimento da compra e venda de casas é um risco – preços podem descer

O Banco de Portugal também está de olho no arrefecimento no mercado imobiliário residencial, pois admite que há o risco de esta diminuição da procura ter “impacto sobre os preços e sobre o valor do colateral de créditos garantidos por imóveis”, explica.

“No final de 2022, observou-se um abrandamento dos preços da habitação e das transações neste mercado. Num contexto de subida das taxas de juros, poderá ocorrer alguma correção dos preços no mercado imobiliário residencial”, admite o regulador liderado por Márcio Centeno.


Ainda assim, considera que o impacto da descida dos preços das casas na banca portuguesa deverá ser limitado. “Mesmo na hipótese de uma queda de preços mais significativa, a distribuição de crédito à habitação por rácio Loan-to-value sugere que o sistema bancário não deverá incorrer em perdas elevadas. No caso do imobiliário comercial, a exposição do setor bancário é limitada e consideravelmente inferior à do imobiliário residencial, sendo que os requisitos de capital são bastante mais elevados, limitando os impactos potenciais de desenvolvimentos adversos neste mercado”, conclui no mesmo relatório.


Banco de Portugal está atento à turbulência nos mercados financeiros

A incerteza no contexto macroeconómico atual aumentou depois do colapso dos bancos Sillicon Valley e Signature, nos EUA, e a instabilidade financeira sentida no Credit Suisse, na Europa. Sobre este ponto, o BdP admite que Portugal não está imune à turbulência acrescida nos mercados financeiros internacionais e está bem atento aos potenciais efeitos de contágio entre os ciclos financeiro e económico.

A verdade é que esta tempestade deixou os mercados financeiros internacionais ainda mais stressados e voláteis. E “os impactos foram particularmente visíveis nas valorizações dos títulos de instituições financeiras mais expostas ao risco de taxa de juro e podem também desencadear dificuldades de liquidez”, aponta o regulador.



Leia a matéria na íntegra aqui. 


Fonte: Idealista



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